Rubem Alves é desses autores que soube se tornar eterno pelo encantamento da palavra. Nesse texto, ele fala sobre costumes mineiros, angústia, religiosidade, morienterapia, vida e morte.

Rubem Alves:

Em Minas, em agradecimento a uma esmola que lhes tivesse sido dada por uma grávida, as mendigas a benziam com a saudação “Nossa Senhora do Bom Parto que lhe dê boa hora!” Benzeção confortante porque a hora da grávida é hora de dor e angústia, precisando da proteção da Virgem Parteira. Vendo, ninguém acreditaria que um nenezinho pudesse passar por canal tão apertado. Dor para a mãe, angústia para o nenê.

No lugar onde as palavras nascem elas brilham com uma clareza espantosa. Vou ao nascedouro da palavra Angústia: nasceu do verbo latino angere, que significa apertar, sufocar. Assim, no seu nascedouro, angústia queria dizer estreiteza. O nenezinho, que estava numa boa, vai ser apertado e sufocado dentro de um canal. Vai sentir angústia. E, pelo resto de sua vida, sempre que tiver de passar por um canal apertado e escuro, vai sentir de novo o mesmo que sentiu para…

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