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por  J. William Worden

” – O processo de luto é necessário?” “- Sim!” “Depois que alguém passa por uma perda, há certas tarefas do luto que devem ser realizadas para que seja restabelecido o equilíbrio e para que seja completado o processo de luto. ”

Tarefa I: Aceitar a Realidade da Perda : “Quando alguém morre, mesmo se a morte é esperada, há sempre a sensação de que ela não aconteceu. A primeira tarefa do processo de luto é enfrentar a realidade de que a pessoa está morta, de que a pessoa se foi e não irá retornar. ” (…) O oposto de aceitar a realidade da perda é não acreditar por meio de algum tipo de negação.”

Tarefa II : Para Elaborar a Dor da Perda : ” Muitas pessoas sentem a dor física e a dor emocional e comportamental associada à perda . É necessário reconhecer e elaborar esta dor ou ela se manifestará por meio de alguns sintomas ou por outra forma de conduta aberrante.”
“A negação desta segunda tarefa, de elaborar a dor, é não sentir. (…) “abolir os sentimentos e negar a dor presente .”Algumas vezes as pessoas escondem-se do processo evitando pensamentos dolorosos .” “Idealizar o morto, evitar lembranças dele e fazer uso de álcool ou drogas são ainda outras formas pelas quais as pessoas não concluem a Tarefa II.”
” Um dos objetivos do aconselhamento do luto é o de ajudar a facilitar a passagem das pessoas por esta segunda tarefa de forma que elas não carreguem a dor por toda a vida. ”

Tarefa III : Ajustar-se a um Ambiente Onde está Faltando a Pessoa que Faleceu : “Ajustar-se a um ambiente significa coisas diferentes para diferentes pessoas, dependendo de qual era a relação com a pessoa falecida e dos vários papéis que desempenhava a pessoa que morreu.”
“A estratégia de redefinir a perda de modo que ela possa redundar num benefício para a pessoa que fica frequentemente faz parte de uma execução completada da Tarefa III.”
” O luto pode levar a uma intensa regressão na qual a pessoa enlutada percebe a si mesma como desamparada, inadequada, incapaz, infantil ou com uma crise de personalidade.”
” O impedimento da Tarefa III é não se adaptar à perda. As pessoas trabalham contra elas mesmas promovendo seu próprio desamparo, ao não desenvolverem habilidades das quais necessitam ou se retirando do mundo e não enfrentando exigências do ambiente. Entretanto, muitas pessoas não têm esta evolução. Elas geralmente decidem que necessitam desempenhar os papéis para os quais não estão acostumadas, desenvolvem habilidades que nunca tiveram e andam para a frente com um sentido de mundo reavaliado.”

Tarefa IV: Reposicionar em Termos Emocionais a Pessoa que Faleceu e Continuar a Vida : “O luto tem uma tarefa física precisa a cumprir : sua função é deslocar os desejos e lembranças da pessoa que sobreviveu da pessoa que faleceu. ” (Freud,1913).
Worden cita Volkan, dizendo que o luto termina quando a pessoa enlutada não tem mais a necessidade de reativar a representação do falecido com intensidade exagerada no dia a dia .
“A tarefa do conselheiro não é a de ajudar o enlutado a desistir de sua relação com a pessoa que faleceu , mas a de ajudá-lo a encontrar um local adequado para o falecido em sua vida emocional – um lugar que irá capacitá-lo a continuar a viver bem no mundo. ”

Quando o processo de luto termina ?

“(…) o luto está terminado quando uma pessoa pode reinvestir suas emoções na vida e no viver .” “(…) quando as pessoas readquirem interesse pela vida, sentem-se mais esperançosas, mais gratificadas e se adapam a novos papéis.”

Manifestações de luto normal

Sentimentos : tristeza; raiva (precisa ser adequadamente reconhecida); culpa e auto-recriminação (geralmente é irracional e diminui o teste de realidade); ansiedade; solidão; fadiga; desamparo; choque; anseio ; emancipação; alívio (especialmente quando o falecido estava doente e sofria); estarrecimento.
Segundo WORDEN, J. William ” todos os itens representam sentimentos normais do luto e não há nada patológico em nenhum deles . Entretanto, sentimentos que existem por longos períodos anormais de tempo e de excessiva intensidade podem prever uma reação de luto complicada.

Sensações físicas associadas às reações agudas de luto : vazio no estômago, aperto no peito, nó na garganta, hipersensibilidade ao barulho, sensação de despersonalização, falta de ar, fraqueza muscular, falta de energia, boca seca.
Além destas citadas por Worden (1998), temos observado durante atendimento clínico a pessoas enlutadas , sensações de tontura, de hiperativação dos esfíncteres, ataques de “engasgo” e/ou de rinite. Às vezes o corpo fala e a pessoa nem se dá conta. À medida que consegue expressar através da fala os sentimentos com os quais estava evitando contato, as sensações físicas tendem a diminuir.

Cognições : Pensamentos de descrença, confusão, preocupação, sensação da presença, alucinações, são comuns nas primeiras fases do luto e geralmente desaparecem depois de pouco tempo. Se eles persistem levam a sentimentos que podem desencadear depressão e ansiedade.

Comportamentos : associados a reações normais de luto, em geral desaparecem por si só com o tempo : distúrbios do sono (dificuldade em conciliar o sono ou despertar precoce); distúrbios do apetite (tanto de comer excessivamente quanto de comer pouco); comportamento “aéreo”; isolamento social; sonhos com a pessoa que faleceu ( tanto sonhos bons quanto sonhos estressantes ou pesadelos); evitando coisas que lembrem a pessoa que faleceu; procurando e chamando pela pessoa; suspiros; hiperatividade; choro; visitando lugares ou carregando objetos.

As tarefas que J. William Worden apresenta “implicam no fato de a pessoa enlutada necessitar agir e poder fazer alguma coisa. Implica no fato de o luto poder ser influenciado pela intervenção externa. A abordagem de tarefas dá ao enlutado algum sentido de alavanca e esperança de que haja algo que ela possa efetivamente fazer. Este pode ser um poderoso antídoto para os sentimentos de desamparo que tem a maioria das pessoas enlutadas.

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