por Maris Stella, mãe eterna de Leonam e João Paulo

As terapias complementares são múltiplas, variadas e servem de suporte às práticas médicas, de autoconhecimento ou quaisquer outras aplicações que se queiram ou sejam possíveis utilizá-las. No contexto dessa diversidade, a música pelas próprias características e valores agregados individual ou coletivamente, ocupa um lugar privilegiado. Cantam o Milton Nascimento e o Tunai: “certas canções que ouço cabem tão bem dentro de mim que perguntar carece, como não foi que fiz?”

Um universo com muito a ser explorado, a Musicoterapia é cada vez mais objeto de interesse de pesquisadores, à exemplo do excelente trabalho de Helida Mara Valgas: A MUSICOTERAPIA EM SITUAÇÕES DE LUTO: POSSIBILIDADES DE INTERVENÇÃO. O musicoterapeuta é profissional qualificado graduado ou pós-graduado em formação específica. Para se informar tecnicamente, indico uma visita ao blog da Nydia Monteiro.

Mas, estamos aqui para pensar sobre letras e canções que nos sirvam como suporte de auxílio para vivenciar e vencer o período do luto reescrevendo um novo momento em nossa história. Almir Sater é um desses letristas que nos dá as mãos nesses instantes dolorosos acolhendo o sofrimento, mas também nos convida a levantar, rever os caminhos e seguir o fluxo. Admirado pelas belezas de suas canções e sensibilidade que expressam as singelezas de uma vida contemplativa, próxima à natureza externa e atenta às lições da própria alma, em: “A saudade é uma estrada longa“, canta a despedida de um amor e a desilusão do que não foi realizado somada à necessidade de prosseguir a vida apesar da perda.

Incontáveis criações musicais, são convites irrecusáveis para quem se desafia à reescrever a própria vidastorytelling, afinando a ponta do lápis para outros traçados, apagando com a borracha da esperança os maus momentos e buscando nas canções alguma mensagem que chegue até o seu coração ecoando versos que digam: “Tristeza é mula brava, corcoveia, mas se doma“. Ainda que guiados pelos amados fantasmas que nunca nos abandonam, aos poucos a gente vai reaprendendo que “de costas voltadas não se vê o futuro“, apesar das dores e perdas, o ritmo da vida exige ir “Tocando em frente“, afinal “É preciso saber viver“.

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