por Raquel Baldo Vidigal
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O luto é uma angústia de perda. Um processo sentimental que ocorre quando o ser humano vivencia uma perda relativa e de importância emocional para ele.

É um processo vivido e sentido totalmente no individual. Mesmo que haja um grupo ou família ou mais de uma pessoa passando pela mesma perda ao mesmo tempo, cada indivíduo expressará seus sentimentos, assim como reagirá com mais ou menos intensidade conforme sua particularidade (choro, raiva, tristeza, questionamentos, interferências na vida social ou emocional) para lidar com perdas diversas ou com aquela perda específica. O momento de vida que esteja passando também terá influencia sobre o luto a ser vivenciado.

O processo de luto não precisa ser marcado necessariamente por uma desestrutura emocional, como por choros compulsivos, crises de ansiedade e etc. O luto é particular e por vezes pode ser vivenciado em silêncio, com a rotina de vida mantida, como trabalho, estudo, amigos, passeios… E isso não significa que a pessoa não esteja carregando e elaborando o sofrimento desta perda. Não há um estereótipo a seguir e nem deve-se esperar por isso.

O luto não é doença ou síndrome, nem mesmo sinônimo de vida desestruturada, tudo sempre vai depender de cada caso.

Tipos

Não há tipos de lutos, há luto, mais ou menos intenso. Normalmente o luto está relacionado a um processo pós-morte de alguém conhecido e muito próximo. Mas pode acontecer em um período pré-morte, ou seja, durante um tratamento delicado ou adoecimento severo. Onde tanto os familiares como o paciente, vivenciam um luto ainda em vida, numa espécie de despedida.

Causas

O luto não precisa estar diretamente ligado a um processo da morte de alguém, pode e até deve estar relacionado a outros diversos processos de perdas e mudanças intensas que vivenciamos na vida, desde objetos na infância, moradia, amigos, escola, trabalho, namoro, casamento, mudança de cidade ou país, desde que represente uma perda significativa.

Os estudos sobre luto ou morte são recentes, ganhando certa estrutura no mundo somente após a segunda guerra e no Brasil somente por volta de 1980.

Anteriormente, na história, a ideia de morte era vista de outra forma, era uma realidade, tanto pela expectativa de vida mais curta, doenças, poucos recursos médicos, guerras contínuas. Pode se dizer que a morte era vista como algo mais natural, talvez havendo mais espaço para ser vivida, nomeada, sentida e assim superada. As perdas, logo as mortes, eram elementos da vida real, uma dor como parte do viver.

Os rituais sempre existiram e são fundamentais na concretização da morte, local e momento para se expressar a dor e receber condolências, para se despedir e se preparar para um novo ciclo que vai iniciar na vida de quem fica.

Hoje em dia, é possível dizer que se fala muito de morte, mas não se elabora sobre ela. A pessoa assiste a tragédias, violências e epidemias, mas não considera ser atingida por ela. A morte é algo a ser evitada, como se o ser humano tivesse o poder de viver para sempre, ou como se pudesse criar um padrão, somente morre após certa idade, ou se possui certos hábitos, se for de adoecimento severo. Quando, na verdade a morte existe porque se está vivo. Esta negação social pode ser um dos motivos relevantes para o luto ser um fator causador de tantas angústias.

fonte: Raquel Baldo Vidigal, psicóloga clínica com base psicanalítica – CRP 06-79518

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