por Maris Stella,  mãe eterna do Leonam e do João Paulo

Sei que dentro de você existe uma luta entre razão e emoção. Em sua realidade, seu filho ou sua filha não mais habitam materialmente ao seu lado. Sua memória se aflige em tentar reter as lembranças e não deixar que ele ou ela sejam esquecidos. O que de certa maneira, seria uma outra “morte”.Mas também sei que em seu coração devotado e cheio de amor há lugar para a gratidão de ter tido o privilégio desta maternidade.

Afinal, entre bilhões de mulheres no mundo, só você foi abençoada em ser a mãe dessa criatura que hoje vive em seus mais sagrados sentimentos. Ninguém mais, tem em si gravado tão profundamente o que significou essa existência, só você. Esse privilégio é só seu!

E por que eu sei? Porque vivemos a mesma situação. Também sou mãe ausente e nunca deixaremos de ser. Demorei um tempo para perceber a grandeza dessa nova realidade em minha vida e da necessidade de renascer. Sofri muito até perceber dessa maneira. Na morte de meus filhos, também quis desaparecer junto com eles. Por isso eu sei!

Assim como você, sentia minhas lágrimas marcarem meu rosto em momentos de intensa dor e solidão. Nessas horas, me deixava enganar pensando que sofria sozinha, que ninguém tinha paciência de me ouvir ou entenderia meus padecimentos.

Por tudo isso, eu sei como se sente. Tive de descer a cativeiros dolorosos de meu mundo interno para voltar de lá com essa certeza, é possível sim, transformar dor em esperança e recomeçar sobre as bases de uma outra maneira de olhar a vida.

O amor é uma força poderosa e indestrutível não importa de qual lado da existência nós ficamos. Porque eu consegui voltar do fundo desse poço, estou aqui a te estender a mão e convidando a fazer o mesmo.

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